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Slut Walk

De um comentário, realizado em 2011, por um policial na cidade canadense de Toronto, ao dizer que as mulheres poderiam evitar abusos caso não se vestissem como “vadias”, resultaria um protesto de resposta tão contundente que se estenderia por anos seguintes.

O termo “vadia” ganhou um novo significado e esse protesto ficou intitulado como “SlutWalk” ou “Marcha das Vadias”, configurando um movimento que reafirma que não é o vestuário ou o comportamento da mulher que provoca a violência – seja ela qual for – e isenta a ação ou a responsabilidade do agressor.

Por mais obvio que seja mencionar, a tradição semântica e estética do protesto, o visual, as roupas – ou falta delas – e a atitude em si – são componentes de indignações mais abrangentes. O movimento continua a reforçar temas pontuais como a violência (cultura do estupro, violência doméstica, entre outras), o machismo, dominação e opressão, desigualdade, pautas LGBT, mas também incorpora discussões de âmbito político, social, cultural e filosófico.

De forma clara alerta acerca dos grandes e pequenos preconceitos arraigados em nosso comportamento (e que muitas vezes até passam despercebidos), pois são oriundos de modelos opressores.

Esses apontamentos podem ser observados nos cartazes, nas falas de ordem e nas frases escritas no próprio corpo de algumas ativistas. Ou seja, uma ação direta que fomenta (ou o desmistifica estereótipos) tanto do papel da mulher ou da compreensão do movimento feminista.

Retrato

Diferentemente de anos anteriores, em que fotografei o ato apenas de uma perspectiva geral, nesta edição realizada em Curitiba, com o mote “Vadias Contra o Fascismo. Cuspindo na Cara do Estado”, optei por [alguns] retratos.

O retrato estabelece um contato, sugere uma conversa, estabelece uma relação. É um adentrar na realidade do outro – mesmo que rápida. Também considerei o fato do portrait pessoalizar a causa em si. Afinal, por trás de qualquer evento, ato ou manifesto, há quem o faça acontecer e o defenda.

Vale mencionar que a manifestação é bem diversificada. Há pessoas participando de todas as idades e camadas. Desde militantes, simpatizantes e apoiadores da causa.

Marcielly Mororesco, 27 anos, participou desta edição da marcha como organizadora. E também foi a primeira vez que ela saiu com os seios à mostra. “Considero uma intervenção de contraconduta; para contestar a objetificação do corpo da mulher; para lutar pela igualdade de gênero (por que é natural apenas para o homem sair sem camisa na rua?)”, ressaltou.

Segundo a ativista, esta edição, realizada na cidade de Curitiba, Brasil, teve uma característica de uma ‘marcha jovem’. “Fiquei muito emocionada de ver adolescentes marchando, gritando, pintando seus corpos como forma de contraconduta e luta. É a prova de que o feminismo está transformando e empoderando mulheres jovens, que poderão construir suas vidas em uma sociedade mais igualitária e talvez menos patriarcal e machista no futuro”.

A fotógrafa e estudante de Direito, Valéria Kotacho. Lopes, 23 anos, participa pela terceira vez da Slut Walk. Destaca que a marcha é uma ambiente aberto e acolhedor, que facilita a participação de pessoas interessadas. Exemplo disso é o espaço para atos das mulheres negras, lésbicas, bissexuais, transgêneros, falas sobre aborto, discriminalização das drogas, e importância do feminismo interseccional.

Estes retratos são um recorte. Um exemplo dessas pessoas que estão em defesa de uma causa, de uma ideia, de que algo precisa ser feito, principalmente pelo fim da violência e igualdade de gêneros.

Slut Walk Portraits

A comment made in 2011, by a police officer in the Canadian city of Toronto, saying that women could prevent abuse case not to dress like “sluts”,  resulted in protest of forceful response  that would last for years to come.

The “bitch” term has a new meaning and this protest was titled as “SlutWalk”. This movement reassert that is not clothing or women’s behavior what causes violence – be it which is – but is a free action and responsibility of the aggressor.

  Dispatch from Crimea

As obvious to be mentioned, the semantic tradition and aesthetics of protest, the look, the clothes – or lack thereof – and the attitude itself – are components of broader indignities. The movement continues to reinforce specific issues such as violence – rape culture, domestic violence, etc. -, male chauvinism, domination and oppression, inequality, LGBT themes, but also incorporates discussions of political level, social, cultural and philosophical.

This is clearly a warning about large and small ingrained prejudices in our behavior – that often even go unnoticed -, because they are coming from oppressors models.

These notes can be seen in posters, in order words and phrases written in the body of some of the activists. In other words, a direct action that promotes – or demystifies stereotypes – both the role of women and the understanding of the feminist movement.

Portrait

Unlike the previous years, in which I photographed the act of a more general perspective, this edition done in city of Curitiba, Brazil, with the theme “Sluts Against Fascism. Spitting in the State Face “, I chose the language of portrait.

The portrait stablish the contact, suggests a conversation, a relationship. It get’s into the reality of the other – fastly. I also considered the fact that the portrait ‘personify’ the cause itself. After all, behind any event, act or manifest, there are those who make it happen and defend it.

It is worth mentioning that the manifestation is diverse. There are people participating in all ages and social layers. Since militants, sympathizers and supporters of the cause.

Marcielly Mororesco, 27, participated in the march edition as organizer. It was also the first time she went out with her breasts showing. “I consider it a against-conduct intervention; to challenge the objectification of the female body; to fight for gender equality – is it only natural for man to get out shirtless on the street?”, said.

According with the activist, this edition had a characteristic of a ‘young march’. “I was thrilled to see teenagers marching, shouting, painting their bodies as a way to against-conduct and fight. It is a proof that feminism is transforming and empowering young women to be able to build their lives in a more egalitarian society and maybe less patriarchal and chauvinistic in the future.”

The photographer and law student, Valeria Kotacho Lopes, 23, is participating for the third time the Slut Walk. It points out that the march is an open and welcoming environment that facilitates the participation of interested people. An example of this is the space for acts of black women, lesbian, bisexual, transgender, speeches about abortion, decriminalization of drugs, and the importance of intersectional feminism.

These portraits and pictures are a cut. An example of this is the people who are in support of a cause, an idea, that something must be done, especially to end violence and gender equality.

Andre Rodrigues

Born in Presidente Prudente, a small town in the state of São Paulo, Brazil. He now lives in Curitiba, Paraná, Brazil. Andre graduated in with a degree in journalism and has a special affinity for Photojournalism. Currently Andre is dedicated to independent and personal photographic projects such as “Vote in Pictures” and “The Illuminated” (Street photography) alongside commercial photography. Andre has organised and participated in exhibitions and idealized 3 publications (two books: Biometrics & Election – vote in pictures, Indeleble and F(V)OTO)..

Check Andre’s works:

Site: andrerodriguesphoto.com.br

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